A essência do comportamento psicopata, segundo Ballone, (2005), é "...o resultado de um complexo sistema de avaliação do objecto juntamente com uma série de condutas aprendidas como eficazes". Segundo as teorias cognitivistas, os estilos dos relacionamentos interpessoais encontram-se reflectidos nos perfis cognitivos e motivacionais de todos nós.
No caso do psicopata, as suas motivações e, consequentemente, as suas cognições estão voltadas para ideais de poder e status social, em detrimento da empatia e do apego. Na sua perspectiva, esses sentimentos correspondem a "fraquezas".
Segundo Meloy (Richards, 1998), os psicopatas possuem os factores emocionais, seriamente, perturbados, isto é, existe um fracasso no processamento das atitudes de apego. O deficit do psicopata em vincular-se e relacionar-se com os outros pode ser explicado através de conceptualizações que possuem como base explicações a nível neuronal e fisiológico, genético ou o excesso de impulsos agressivos ou um defeito das funções psíquicas inibitórias. Desta forma, um defeito no superego em conjunto com uma predisposição inata para a impulsividade e para a agressividade, mais a vivência de acontecimentos traumáticos na infância (normalmente antes dos trinta e seis meses de idade), criariam as condições propícias para o desenvolvimento de uma personalidade psicopática.
Apesar de existirem várias tipologias para enquadrarem os diversos tipos de psicopatas, todos os investigadores (...) concordam na existência de uma grande impulsividade e na ausência de culpa ou remorsos como características nucleares da psicopatia. Para este trabalho evidenciamos dois autores que tratam esta problemática, ou seja, Blackburn (1998) e Millon (1998).
Blackburn (1998) desenvolveu uma tipologia para os subtipos de psicopatas, considerando a variante anti-social. Inicialmente, este autor fez uma distinção entre dois tipos de psicopatas - os psicopatas primários e os psicopatas secundários - ambos compartilhavam um alto nível de impulsividade.
Os psicopatas primários são caracterizados por traços impulsivos, agressivos e hostis. São indivíduos extrovertidos, confiantes em si mesmos e revelam baixos níveis de ansiedade.
Neste grupo, podemos incluir, predominantemente, sujeitos narcísicos, histriónicos e anti-sociais, indivíduos que, tipicamente, escolhem profissões ligadas ao embuste e ao risco, como, por exemplo, a política e a polícia. Os psicopatas primários possuem, ainda, altos níveis de excitação cortical e autonómica o que os leva a uma procura, incessante, de sensações, quer sejam de natureza sexual ou não. Os psicopatas enquadrados neste sub-tipo tenderão a cometer crimes de carácter violento.
Por seu turno, os psicopatas secundários são, geralmente, hostis, agressivos, com um alto nível de impulsividade, mal-humorados, ansiosos na relação com o outro, solitários e com baixa auto-estima. Estes psicopatas são considerados como os mais desviados socialmente. Assim, podemos encontrar neste sub-tipo indivíduos esquizóides, anti-sociais, dependentes, evitativos e paranóides. Frequentemente, estes psicopatas encontram-se ligados a associações, cultos ou seitas, onde ocupam sempre lugares de grande relevo. Enquanto os psicopatas primários, devido à sua maior capacidade de elaboração e racionalização dos acontecimentos aliada a uma menor impulsividade, são propensos a cometerem crimes mais violentos, o psicopata secundário tem mais tendência para o roubo. Por causa da sua grande impulsividade, estes sujeitos, reagem de forma bastante agressiva quando são confrontados, ou ameaçados verbal ou fisicamente.
Estes dois tipos de psicopatas exibem estilos interpessoais dominadores, embora se possa fazer uma distinção entre um e outro. Assim, o psicopata primário tende a ser coercivo e apesar de dominante é, também, sociável, enquanto o psicopata secundário além de poder ser, também, coercivo e dominante é, essencialmente, solitário, parecendo, muitas vezes, submisso.
Fonte: blog O inferno na terra -- infernonaterrra.blog.com
quinta-feira, 6 de março de 2008
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